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UM ANO DEPOIS: Justiça ainda não julgou jovem que matou e arrancou o coração de dançarino em Campina Grande/PB

UM ANO DEPOIS: Justiça ainda não julgou jovem que matou e arrancou o coração de dançarino em Campina Grande/PB

Com informações do Blog do Márcio Rangel

Por Márcio Rangel

Um dos crimes mais brutais já registrados em Campina Grande completa um ano sem julgamento. O assassinato do produtor cultural e dançarino Admilson Julião Martins, de 53 anos, conhecido como Maia, ocorrido em dezembro de 2024, segue sem decisão do Tribunal do Júri, mesmo com confissão do autor, denúncia recebida pela Justiça e prisão preventiva mantida.

A reportagem do Blog do Márcio Rangel teve acesso a informações exclusivas sobre o andamento do processo, que explicam por que, passados doze meses do crime, o acusado ainda não foi levado a júri popular.

O acusado é Alex Fernandes de Oliveira, que tinha 18 anos à época do crime e hoje está com 19 anos.

O crime

O corpo de Admilson Julião Martins foi encontrado no dia 21 de dezembro de 2024, em um terreno localizado no bairro Estação Velha. A cena chocou até investigadores experientes: a vítima apresentava múltiplas perfurações por arma branca, sinais de extrema violência e teve o coração arrancado. Pedras foram colocadas no local onde o órgão foi retirado.

Pertences pessoais e joias da vítima foram encontrados no local, o que afastou, ainda no início das investigações, a hipótese de latrocínio. A Polícia Civil classificou o caso como crime bárbaro e cruel, pela violência extrema empregada.

Cinco dias após o crime, em 26 de dezembro de 2024, a Polícia Civil prendeu Alex Fernandes de Oliveira na cidade de Ingá. À época, ele tinha 18 anos.

Durante interrogatório, o acusado confessou o assassinato e apresentou sua versão dos fatos à polícia.

O inquérito policial foi presidido pela delegada Renata Dias, que conduziu a investigação de forma célere. O trabalho foi posteriormente elogiado pelo Judiciário, diante da rapidez na elucidação do crime e da coleta de provas.

O Ministério Público da Paraíba ofereceu denúncia contra o acusado em 9 de fevereiro de 2025. A Justiça recebeu formalmente a denúncia em 13 de fevereiro de 2025, fazendo o caso avançar para a fase de instrução criminal.

O processo tramita no 2º Tribunal do Júri de Campina Grande, sob o número 0801436-90.2025.8.15.0001, e não corre em segredo de Justiça, o que permite a divulgação das informações.

Em 11 de abril de 2025, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva de Alex Fernandes de Oliveira, que permanece recolhido na Penitenciária Regional Padrão de Campina Grande, unidade destinada a presos provisórios.

Por que ele ainda não foi julgado?

Apesar do avanço inicial do processo, o julgamento foi adiado após a Defensoria Pública do Estado da Paraíba levantar a tese de insanidade mental do réu.

A defesa solicitou a instauração de um incidente de sanidade mental, alegando dúvidas sobre a integridade psíquica do acusado. Caso o pedido fosse aceito, o processo poderia ser suspenso.

O pedido foi analisado durante audiências de instrução realizadas nos dias 11 de setembro e 20 de outubro de 2025. O Ministério Público, representado pela promotora Juliana Lima, não acatou a tese da defesa, entendendo que não havia elementos suficientes para caracterizar incapacidade mental do acusado.

Laudos médicos afastam insanidade

Mesmo com a posição contrária do Ministério Público, uma juíza substituta determinou a realização de diligências complementares, solicitando laudos do CAPS que acompanhava o acusado na cidade de Ingá.

No dia 1º de dezembro, uma equipe da Secretaria de Saúde de Campina Grande realizou uma avaliação clínica de Alex Fernandes de Oliveira dentro da penitenciária. O laudo oficial foi encaminhado à Justiça em 7 de dezembro.

O documento concluiu que:

• Não há sinais de psicopatia;

• Não há transtornos mentais graves;

• O acusado tinha plena capacidade de compreender o caráter ilícito do crime.

Segundo os profissionais de saúde, o jovem apresenta apenas transtorno de ansiedade, associado ao uso abusivo de drogas, como maconha, crack e cocaína. A interrupção abrupta do consumo após a prisão teria intensificado os sintomas, sem comprometer a consciência dos atos praticados.

Histórico criminal do acusado

Alex Fernandes de Oliveira é natural de Serra Redonda, mas residia em Ingá e costumava circular por Campina Grande, especialmente durante a noite.

Ele já possuía passagens anteriores pela polícia:

• Em 6 de novembro de 2020, aos 14 anos, foi apreendido por furto de equipamentos de vigilância em Ingá;

• Em 19 de abril de 2024, meses antes do homicídio, foi vítima de uma tentativa de homicídio, após dívida com traficantes, sendo baleado e sobrevivendo ao ataque.

Com a rejeição da tese de insanidade mental e a manutenção da prisão preventiva, o processo não foi suspenso. No entanto, o recesso do Judiciário impediu a marcação imediata do julgamento.

A expectativa é que, com o retorno das atividades forenses, o 2º Tribunal do Júri de Campina Grande marque o júri popular de Alex Fernandes de Oliveira ainda em 2026.

Enquanto isso, um ano após o crime, o caso segue como símbolo de brutalidade, dor e espera por justiça para familiares, amigos e para a comunidade cultural de Campina Grande.