Com informações do Blog do Márcio Rangel
Ao ser provocado sobre a possível nomeação de Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil), para o Ministério do Turismo, o ex-governador Ricardo Coutinho não economizou palavras — nem ironia.
Para Ricardo, o debate vai muito além do nome. Segundo ele, o Ministério do Turismo já é, hoje, um espaço esvaziado politicamente, fruto de uma engrenagem maior: a lógica do centrão, onde partidos “saem, mas deixam um pezinho”, rompem num dia e voltam no outro, conforme a conveniência do poder.
Na avaliação do ex-governador, o União Brasil simboliza bem essa contradição. Uma parte se afasta do governo, outra permanece ocupando cargos estratégicos. Uma salada política que, segundo Ricardo, “dá muita azia no povo” — e não é de hoje.
Ricardo também relembra o comportamento recorrente de lideranças que transitam entre campos ideológicos com naturalidade: rompem, voltam, se declaram oposição e, logo depois, retomam o alinhamento quando o projeto pessoal assim exige. Para ele, isso explica boa parte do descrédito da política junto à população.
Mas, em meio às críticas, o ex-governador faz uma ponderação pragmática: o governo não erra, o governo precisa. Precisa garantir governabilidade diante de um Congresso que ele classifica como um dos grandes problemas do país. Precisa viabilizar votos para manter a inflação sob controle, o desemprego em patamares historicamente baixos e o Brasil atraente ao capital internacional.
Na lógica apresentada, se uma indicação ministerial garante o apoio de 20 ou 25 parlamentares, o presidente Lula faz o que considera necessário para manter o país funcionando. O ônus político, segundo Ricardo, não pode ser jogado exclusivamente sobre o Executivo.
E aí vem o arremate: se a população considera esse jogo inaceitável, há um caminho claro para mudar as regras — as urnas. Outubro de 2026 é apontado como o momento de escolher um Congresso que respeite o eleitor, a política e o país.
No fim das contas, o Café com Moído de hoje deixa um gosto amargo: a governabilidade custa caro, a conta recai sobre o povo e, enquanto isso, a política segue sendo servida como uma salada mal temperada — difícil de engolir, mas apresentada como inevitável.






