Com informações do Blog do Márcio Rangel
A Assembleia Legislativa da Paraíba viveu, nas últimas 48 horas, uma daquelas cenas que só a política é capaz de entregar: a lei que autorizava a entrada de comidas e bebidas em eventos mal teve tempo de esfriar o café — e já foi revogada.
Sim, caro leitor: a norma que mexeu com produtores de eventos, comerciantes, consumidores, redes sociais, grupos de WhatsApp e até com o humor do paraibano durou menos que ingresso de show de Wesley Safadão em véspera de São João.
A Assembleia votou de novo. Recuou. E revogou. Acabou-se o que era doce.
Mas vamos ao moído.
A lei, aprovada e publicada em 11 de novembro, parecia bonita no papel: defender o bolso do consumidor, garantir liberdade, evitar abusos. Mas, quando a tinta secou, o setor de eventos subiu a serra com tudo: impacto financeiro, risco de fuga de grandes shows, prejuízo para toda a cadeia produtiva e ameaça real para o turismo. A gritaria foi grande — e foi rápida.
Produtores, empresários, donos de casas de show e até prefeitos de cidades que vivem do calendário cultural avisaram: “Se essa moda pega, a conta não fecha”.
Resultado? A política fez o que a política sabe fazer: testou, sentiu a pressão e deu marcha a ré.
De forma elegante, claro — com “revogação total mediante nova apreciação”.
Na justificativa, o deputado Eduardo Carneiro – o autor do projeto que derruba a lei – fala de riscos sanitários, perda de arrecadação, ameaça à segurança alimentar e quebra do setor de eventos. Tudo verdade. Mas também é verdade que foi a mobilização gigante (e organizada) dos bastidores que acelerou o freio de mão dentro da ALPB.
No fim das contas, fica aquele sabor de Cafezinho meio amargo:
— uma lei que virou polêmica nacional;
— um setor inteiro em pé de guerra;
— e um recuo que mostra que, às vezes, certas decisões precisam ser pensadas, conversadas e alinhadas antes de virar manchete no Diário Oficial.
A vida segue. Os eventos continuam. E o paraibano segue pagando caro no refrigerante — mas pelo menos agora com garantia de que os shows não vão embora.
Porque, no fim do dia, entre uma lei mal costurada e um show cancelado…
o paraibano prefere o moído, mas não abre mão do forró.
☕ Até o próximo capítulo.











